quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Deus e a solidão

Do alto de sua solidão e na necessidade de conversar com alguém Deus resolve fazer o homem.
Mas por que o homem? Por que nada melhor do que um homem para conversar.
Pega o barro, aquece-o entre as mãos....assim como se fosse algo muito precioso. Em sua boca, um sorriso de canto, evidenciando uma certa traquinagem...coisa de criança. Vai moldando braços, pernas, cabeça, tudo com um carinho intenso. Carinho que só o mais puro amor pode transmitir.
Enquanto trabalhava, Deus pensava nos assuntos que poderia conversar, sobre as coisas que ele poderia ensinar, que poderiam bolar juntos alguma coisa de homem, talvez algum jogo onde vários homens pudessem disputar alguma coisa, com uma bola num campo demarcado. Estava feliz, ansioso por sua criação poder-lhe proporcionar algo que não fazia desde a eternidade: Conversar.
Por fim, deu à sua criação um cérebro e o dom do livre arbítrio, afinal seria chato demais ter alguém que só concordasse com seus argumentos. Soprou seu hálito divino na criatura e ela ganhou vida. Então pegou o homem, que adormecido estava e com todo o cuidado de um pai, coloco-o no Paraíso, embaixo de uma paineira frondosa e perto de um riacho. Tudo bem feito e gostoso.

Então o homem acordou. Bocejou e olhou ao redor. Viu Deus, ali perto dele sentado numa pedra. Tinha um sorriso largo e bondoso e Deus não aguentando de felicidade e disse:

- Bom dia meu filho!

E o homem, com uma cara de sono respondeu:

- Ah velho, não enche o saco e me deixa dormir. - Virou para o lado e dormiu sem vontade nenhuma de conversar.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Esvéqtia lunis badanah

Entre eu e eu mesmo Há um frágil armistício
Escrito em areia de praia
Numa ilha pequena do Pacífico


Entre eu e eu mesmo
Canto samba de carnaval
Mas canto num claro espanhol
Que un dia, el viejo Neruda enseñou


Entre eu e eu mesmo
Interpreto uma peça nossa
De frases mudas e corpos rijos
Com um beijo molhado e doce no final


Ah! Você! Não me leve a mal
Nem sintas ciúmes de mim comigo
Há tanto a tratar nos baús de meu silêncio
Que meu tempo se esvai sem perceber, sem sentir


E não queira saber
Do ínfimo espaço que há entre eu e eu mesmo,
Pois esse pequeno espaço é infinito demais para ser entendido
No breve momento em que lês a frase que meu eu escreve de mim

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Aquecimento Global


    Esta estória é fictícia, mas bem que poderia ser verdade...


    A Juan então foi concedido o dom de conhecer os segredos da Terra. Não muito satisfeito com isso, saiu do Templo dos Desejos invejoso do outro aprendiz que ganhou o dom de dominar os cinco elementos e assim começou sua peregrinação pelo mundo afim de tentar entender melhor o que seu novo dom lhe proporcionaria.
   Por vales e montanhas, num calor escaldante dos últimos anos, a medida que andava, ouvia um lamento surdo e abafado de seres e coisas que antes de seu dom eram inanimados, mas que depois deles, sussurravam ao seu ouvido uma palavra que era difícil de entender. À tarde, sentado em uma árvore, ouviu um sussurro:

  - Frio...frio...

   Não entendeu o significado mas  deduziu então que a Terra estava sofrendo com o calor. 
   À medida que se aproximava das cidades o mesmo sussurro ficava distante, quase inaudível, dando lugar a balbúrdia insípida do povo e adentrando nelas, sofria ele uma agonia do calor intenso e nesse caminhar viu um velho ser roubado por um jovem, que com violência empurra-o, fazendo-o cair e levando sua bolsa de mantimentos. Minutos depois viu o corpo inerte do mesmo jovem que assaltou o velho, alvejado por um grupo de homens que maltratavam simplesmente pelo prazer da maldade, o pescoço marcado do jovem trazia um colar de conchas azuis que destacava-se dos farrapos que ele vestia.  
   Caminhando ainda mais, encontrou uma jovem, tão magra em sua pele e osso que ficou assustado. Ela levava uma criança nos braços e gritava aos transeuntes sobre o paradeiro do marido Por coincidência ou não, tinha o mesmo colar de conchas azuis.
    Chegou até o rio poluído da cidade e ao longe viu a fábrica que despejava detritos inadvertidamente. Crianças doentes em sua margem, vomitavam o pouco que tinham para comer.
    Juan pegou um pouco de água e colocou perto do ouvido:

  - Frio.....frio...  - Ouvia o lamento da água.

  - Frio....frio.... - Ouvia o lamento do vento. E tudo sussurrava igual.

    Assustado e sem entender o que acontecia, voltou ao Templo dos Desejos, precisava de uma explicação dos Grão Mestres e pediu uma audiência urgente.
   Reunidos, os Grão Mestres preocupados pela balburdia da urgência, receberam Juan que contou o que ouviu e sentiu sobre a Terra e numa grande confusão de gesticulações e interpretações, não chegavam a consenso nenhum, mas sabiam, intimamente que o assunto era grave. Tentando, cada um impor sua razão ao outro, os Grão Mestres começaram a brigar entre si, tentavam fazer conchavos, desprezavam, zombavam, tinham virado animais na necessidade de impor sua razão um ao outro. Juan tentou esboçar alguma teoria mas foi severamente repreendido e convidado a retirar-se do Templo.

    Juan sentiu-se sozinho...Juan sentiu-se com frio...com tanto frio como a Terra se sentia por não ser ouvida, por não ser levada em consideração, por ter que seguir caminhos não naturais, por ter que ser subvertida ao que não queria. Um frio imenso. Houve então a iluminação, quando Juan deu-se conta de que para compensar a frieza do coração dos homens, a natureza aquecia a Terra até seus limites, num gesto desesperado de fazer com que os seres humanos entendessem que a frieza em seus corações o matariam.

     Voltou correndo para o Templo e explicou sua teoria ao guarda da entrada. Esse o olhou e riu, chamando-o de tolo.

      Era tarde demais...


terça-feira, 9 de setembro de 2008

Conto inacabado

"Ilha não é só um pedaço de terra cercado de água por tudo quanto é lado. Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente. Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha. Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha. Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha. Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha. Toda ilha é verde. Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado. Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara. (Oswaldo Montenegro)"

Maria queria mais para ela. Não por avareza, mas por que acreditava que merecia. João por sua vez, acreditava nele. Não no que Maria dizia, mas no que ele sentia. Conversavam sobre a relação e acreditavam ir para um ponto comum, mas o fato é que a conversa era boa, era gostoso conversar um com o outro. Existia boa vontade de ambas as partes, mas não havia mudança. Com o passar do tempo cada um tornou-se uma ilha fazendo uma ponte, sempre que precisavam de contato um do outro. Choravam sozinhos, sofriam sozinhos e se lamentavam sozinhos sobre o que estava acontecendo. Mas o que estava acontecendo? Nada...Nada acontecia. E o que para um, em não acontecer nada era ótimo, para o outro era péssimo. Pobre João e Maria, queriam a mesma coisa, mas de jeito diferente...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O oitavo pecado capital

Gula,Luxúria,Avareza,Ira,Soberba,Vaidade,Preguiça e a COVARDIA

Algumas pessoas definem o Amor como sendo a coisa mais importante, outros falam dos filhos. Há quem diga do amor aos pais e o respeito ao próximo. Eu, por outro lado, abandonei todas as esperanças desses sentimentos ternos em busca de um só: CORAGEM.
Quem tem coragem, traz as rédeas de sua vida mais próximas de si, não se acovarda perante o chefe tirano ou ao emprego medíocre e sem sentido que, por covardia, você não abadona.
Quem tem coragem, declara seu amor, mesmo sabendo do possível mico, mesmo sabendo da recusa e tem a coragem de seguir adiante, sem medo de não ser quisto.
Quem te coragem, não vive na sombra e nem faz sombra à felicidade de ninguém, pois crê que a vida é mais do que o cotidiano que a mídia tenta nos injetar todo dia.
E ainda que pareça, ter coragem não significa ser agressivo, não significa ser selvagem. É preciso ter coragem para ser sereno nos momentos de adversidade e crer, piamente, que qualquer coisa que aconteça em sua vida, será menor do que a necessidade de coragem que você tem.
Quem tem coragem, acorda cedo, anda no escuro, mata barata, caça rato, pula de para-quedas, mergulha com os tubarões, atravessa a favela,mas mais que isso, quem tem coragem: vive!
Viver, e não sobreviver, é um ato de coragem, é sair das amarras da mesmíce e praticar todo o dia a boa vontade com você mesmo, pois se você não tiver boa vontade com você, ninguém terá, acredite, ninguém. Alguns dizem que é corajoso aquele que, sem perspectiva, compra uns docinhos e vai a luta para vendê-los no farol, mas eu acredito que coragem é ter em mente que "vender docinho no farol" é errado e que é necessário ter coragem para sentar a bunda por 4 horas diárias na escola ou no curso profissionalizante ou em qualquer lugar que te leve a algum lugar diferente de "vender docinho no farol".
Ter coragem indicar para o moleque que faz malabares no farol que ele pode ser melhor se ele quiser e ele tem que ter a coragem de querer ser melhor.
E sobre amor, como coisa mais importante....o que posso dizer sobre isso é que para amar nessa vida, precisamos mais do que tudo, ter coragem para amar, muita coragem.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Olavo e Olivia

E um dia Olavo calou-se

Não por birra, nem por vaidade, mas era aquela fase que o remetia ao introspectivo,ao pensamento dele consigo mesmo. Aquele olhar mortiço que não indicava nem ódio nem paixão, mas um vazio como se ele não tivesse alma. Não era mudo, mas seria melhor se fosse, pois parecia tratar o mundo com uma indiferença que não era dele ou que pelo menos ninguém sabia desse seu lado. Respondia o básico, não se aprofundava na natureza dos assuntos, não explicava e não fazia muita questão de entender. Olívia notou. E como notou. Num primeiro momento esboçou uma pergunta, mas com medo de ser maltratada por ele que fazia uns meses estava um tanto diferente, tratou de assumir o estilo resignado, queria saber, mas não perguntava e devagar isso foi envenenando-a. Olavo passava os seus dias, ora com algumas aflições, ora com algum contentamento furtivo, mas sempre retornava para dentro, para as voltas de seu caramujo interior, experimentava as sensações do mundo, opiniões, ações e conselhos que o mundo dá, mas não interagia, carregava-os para dentro de si para manipulá-los ao seu modo, quieto e introspectivo. Era uma necessidade antiga de ficar quieto. Não necessariamente sozinho, mas quieto, num primeiro momento buscando alinhar seus sentimentos às suas necessidades. Fazendo os cálculos da vida e do dinheiro, somando coisas, subtraindo números e testando conclusões. Num outro momento era só o silêncio mesmo, uma espécie de depressão bem vinda, que os ouvidos buscavam o silêncio de um olhar, a quietude de um entardecer. Coisa simples de desejar, mas difícil de explicar. E Olívia? Olívia também tinha seus problemas, suas ânsias e vontades, mas já se sentindo preterida por Olavo, tentava não expressar nem o bem nem o mal,agia como espelho, tentando aplicar nele o mesmo sentido de veneno que ele de forma tão silenciosa e impassível nela injetava. Mantinha-se resignada nadúvida de saber se era ela o problema ou se ele tinha desfeito o sentimento que antes dizia nutrir. Olavo sentiu? Sentiu sim, meio na dúvida em saber se havia algum outro problema maior ou se o problema era ele, mas ao invés de comunicar Olívia sobre suanecessidade de silêncio, que é diferente de solidão, apenas tratou de carregar as sensações de Olívia para dentro de si e ela virou matéria de estudo dentrodas voltas de seu caracol. Dentro dele ela era um sentimento vasto e quente, um cobertor bem quente e necessário de uma noite de frio. Um alento que enquanto houvesse interação, ele não precisava se preocupar. Mas ele não queria interagir, não naquele momento, não naqueles dias, pois naqueles dias ele não interagia nem com Deus. E como os outros viam essa atitude de Olavo? A especulação se alastrava. Uns diziam que ele estava triste, outros que ele estava com raiva. A mulher da limpeza chegou a dizer para a outra que ele foi mandado embora e ele, ele não dizia nada, fazia o que tinha que fazer e voltava para dentro de si, para contemplar não sei o que, sabe-se lá que loucura era essa. Mas fazia, queria fazer e gostava. Sabendo-se que o mundo não para, nem com reza ou mágica, o mundo realmente não parou e as coisas seguiram seu rumo, acomodando-se e ajeitando-se ao seu silêncio chato e ensurdecedor. Isso envolvia Olívia que moldou-se a seu modo, ao silêncio insípido e perfurante de Olavo.

Mas um dia Olavo falou...
Num primeiro momento foi como abrir uma porta grande e pesada, com um rangido lento e extenso. Uma porta que parecia guardar a mil chaves uma imensidão de sentimentos e conclusões enclausuradas e que agora já amadurecidas faziam força para sair e saíram. E Olavo desembestou a falar sobre suas conclusões e teorias, aquelas que ele ruminou tanto tempo em seu solilóquio até que um atalho de pensamento levou-o direto até o estomago e lá estava frio, frio como o corredor de um hospital, frio como algo que necessitasse de um cobertor bem quente... Lembrou-se de Olívia. Quantos dias já não a via? Muitos dias... Que agora parecia ser uma eternidade e uma necessidade de urgência afastou todo e qualquer outro pensamento. Pegou o telefone e ligou:
- Alo? – uma voz feminina conhecida atendeu do outro lado.
- Olívia? – perguntou baixo quase querendo cochichar.
- Olavo?
- Oi! Sou eu! Olha, eu preciso dizer que te amo!
-...
Um silêncio frio entrava por seu ouvido fazendo eco em sua cabeça.
- Olívia?
- Oi...
- Você ouviu? Eu te amo!
- Ama mesmo? – Perguntou Olívia com voz interessada.
- Sim, amo muito, tanto que nem sei o quanto!!
- Ama de verdade?
- Sim, amo de verdade! Muito! Demais!
- Então enfia o seu amor no cú, por que eu cansei!
Desligou o telefone e o mundo seguiu girando nas voltas doidas que a vida dá.

segunda-feira, 10 de março de 2008

A quem interessar possa...

Eu vou te falar de algo que todos sentem e falam mas deixa eu falar sob minha ótica para que a paz de ter dito o que penso possa ficar um pouco aqui comigo. Vou falar do óbvio, do viço das coisas quando as mesmas são novidades.. Quando tudo é novo, o entusiasmo das coisas nos alegra, ficamos confiantes e felizes, acreditando que essas coisas que brilham nunca terão fim. Nunca se acabarão. E no meio das paixões nos pegamos envolvidos. Não queriamos nos envolver, mas nos envolvemos. Passamos a querer o outro com todas as suas luzes para nós, para que a nossa própria vida que parece ser tão escura tenha um pouco de luz. Com uma força infinita nos armamos de todos os bons sentimentos: amor, carinho, amizade, atenção, boa vontade, verdade... Mergulhamos no oceano escuro com a certeza de conseguir o prêmio maior, o amor que está do outro lado, mas nesse momento de busca intensa ocorre o erro. Amar demais! Amar demais, é amar errado. Quem ama demais, perde demais, erra demais, incomoda demais. E já tão perdido por amar demais, não consegue mais entender as sutilezas do não e do sim. Fica preso nas próprias certezas de que o começo é o começo sempre, mas o tempo passa, o viço acaba e o que resta? Para quem ama errado, dizendo amar demais, resta uma tentativa desesperada de não perder, já sabendo da perda. Uma agonia sem fim se formando no peito.E nós só queriamos ser amados na mesma frequência, no mesmo peso... O outro lado, sem entender, fica acuado, sente-se cobrado e com um desejo enorme de que nada disso estivesse acontecendo. O outro lado também sofre por não conseguir dar a nós, pessoas que amam errado ( pois amam demais ), aquilo o que desejamos e começa aí o inicio do fim... As palavras e gesticulações que tanto agradavam e deixavam feliz no começo, hoje não são mais suportadas. Qualquer palavra de afeto ou até mesmo amizade, soa como um açoite nas costas de quem amamos. Simplesmente perdemos o viço. O brilho natural do começo. E quando sentimos que o outro vai procurar em outros horizontes o que antes enchergava em nós, aí sim nossa alma nos abandona e passamos a vagar no escuro não por opção, mas por falta da luz que antes tinhamos. E agora, falando em primeira pessoa, posso dizer de mim. Tantas vezes eu caí e tantas vezes me levantei que conheço bem esse tipo de dor. Eu sei que a dor passa, sei que as pessoas passam, mas não queria que fosse assim, não queria que nada passasse, queria mesmo era que desse certo. Que o amor demais, se transformasse no amor suficiente, no amor necessário. Não na loucura desenfreada que as vezes me acomete. Para quem amo, digo apenas que o viço do que sinto perdura todos os dias. E que para os novos amores que você venha encontrar no caminho, que faça livre comparação de quem quer amadurecer contigo e quem apenas quer você, pois amadurecer leva tempo e é para uma vida inteira, o querer por sua vez, se perde na fogueira das vaidades que é tão inconstante. É como vontade que dá e passa. Amar é como respirar, é necessário. Para os novos amores, lembra-te que o novo brilha, é mágico e tem sua perfeição por ser novo...mas o tempo passa e o novo fica comum. Me arrependo de amar errado. Amar errado sufoca, mata o outro lado e enquanto não aprendo a amar direito vou amando, desse meu jeito meio torto, mas com a séria proposta de amar certo. De amar apenas o suficiente. Não me pergunte qual é essa medida do amor suficiente, pois se eu soubesse eu já a teria usado com você. Mas amar demais ou amar errado, não é assim de um todo ruim, afinal, todo tipo de amor joga sementes no coração do outro, se a semente é boa, se a terra é boa, se o tempo ajudar, a semente germina. Se um desses três pontos falhar, ela não vai germinar. Deixo aqui então nessa carta, ainda que virtual, mas uma carta, os fatos de minha ignorância. Espero que a idade e não mais a experiência, pois essa eu tenho de sobra, me conceda um pouco mais de dicernimento para que eu aprenda a amar direito. Para que eu aprenda a amar o suficiente.